Um dia morro ao vento. Morro com o meu corpo a cortar o vento. Com a música a rebentar-me em bolas de sabão nos ouvidos e a escorrer pelas paredes do corpo. Um dia morro com um último gosto doce na boca. Um dia vou com o vento.
cara-de-sonsa listens to Yann Tiersen: Le Fabuleux destin d'Amélie Poulain

Sem Deus Nem Senhor
A luz é tão cega
Que nunca se entrega
Só se deixa ver
Numa razão de ser
Sem sequer entender
Os olhos que a vão receber
E o rasto que fica
É uma coisa antiga
Que a gente tem pr´a dar
E só pode encontrar
Quando morrer a procurar
Salvo pelo amor
Só se pode ser salvo pelo amor
No sentido perdido ganhador
Não tem Deus nem Senhor
Esta dor
Anda à solta por aí
Que eu bem a vi
Ai, se eu pudesse parar
Se eu vos pudesse contar
Salvo pelo amor
Não existe derrota para a dor
Com o seu capital triturador
Não tem Deus nem Senhor
É simplesmente dor
Que é o que faz questão de ser
Sem entender
Que a vida toda surgiu
De um sol que nunca se viu
Nem sei se existe
Fui ver o Camané ontem à noite no Largo da Feira. Alguém teve a brilhante ideia de trazer o Camané para cantar em Azambuja durante a Feira de Maio e eu esperei ansiosamente por esse momento.
Quando cheguei ainda estava tudo muito vazio, mas foi enchendo e eu fui discretamente ficando na fila da frente.
Foi lindo! Adoro o Camané. Sou fã assumida. Adoro a maneira sentida como ele canta o fado, adoro ver como ele canta de olhos fechadas. Foi excelente. É exactamente igual ao que os meus ouvidos já conheciam.
Não sou fã do fado, só não consigo resistir a coisas bem feitas e o Camané é o melhor.
cara-de-sonsa listens to Camané: Sem Deus nem Senhor
Era uma festa. Uma festa num sítio que não conheço, mas com a minha varanda. Tu chegaste com o ar meigo do costume.
Primeiro não falámos e depois tu disseste timidamente: "Acho que gosto muito de ti", como se fosse normal que qualquer pessoa gostasse muito de mim. Eu não falei. Ficamos sentados de mãos dadas. Suponho que tenha sido mais ou menos como fazem as pessoas que descobrem algo de novo, algo bom, algo que assusta.
Depois saimos. Um de cada vez. Fugimos das pessoas. Eu quis fugir da minha realidade e foi tão bom. Por momentos foi muito bom.
Depois acordei com o barulho e não parei desde então de pensar em tudo o que aconteceu só para não deixar que a minha memória deixe ir tudo com alguma ventania súbita, não enquanto trago este sabor doce na língua e estas palavras roucas nos ouvidos.cara-de-sonsa listens to Craig Armstrong: Piano Works
Cold wind blow this waiting blood,
Flow into my ashen arms.
Ice stream prick my sleeping skin.
She is like the so black time,
Race on in and never go away.
She's just like this wind.
Black Car, with your creaking wheel,
Take away these thoughts of mine.
Once there was a crazy man
Staring from his drunken eyes,
Staring stony into her elbow's way
Stared at me and tellin' me,
'Stead of 'oh, poor lonely me,
I claw the bed and I claw my hair.
Oh black car, with your creaking wheel,
Take away these thoughts of mine.
Pictures sing in rhythm with 'em.
Dig the holes for me to sleep inside.
She is free,
A shadow crossing the sky,
Free from hope and this misery.
She's beautiful, so beautiful away from me.
She is free.
She is free.
Instead of me is this creaking wheel,
Take away these thoughts of mine
Pictures sing in rhythm with 'em
Dig the holes for me to sleep inside
Black car, with your creaking wheels
Take away these thoughts of mine
Catch us sing in rhythm with 'em.
Dig both holes for me to sleep inside
She is free.
Shadow crossing the sky.
Free from hope and this misery.
So beautiful away from me.
She is free.
She is freeContinuo a descobrir músicas novas do Jeff e sempre boas.
cara-de-sonsa listens to Jeff Buckley: She's free

A actuação de ontem foi do melhor possível. Alheira ao jantar, muita gente, carros de choque trajadas, a loucura em palco, grande claque e duas novas afilhadas. Tive mais hoje do que aquilo que pedi, mas foi bom, do melhor.
cara-de-sonsa listens to Carlos Paião: Souvenir de Portugal